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Varizes

Varizes

As varizes constituem a mais comum de todas as alterações vasculares, apresentando uma alta prevalência mundial. No Brasil estima-se que cerca de 30% da população apresenta doença varicosa, sendo 2 à 3 vezes mais frequente entre as mulheres que em homens. Varizes ou veias varicosas dos membros inferiores são veias localizadas no subcutâneo que se tornaram dilatadas, tortuosas e alongadas e que apresentam alteração da sua função, que é de levar o sangue de volta ao coração e pulmões.

ETIOPATOGENIA

São várias as causas sugeridas como fatores de risco para o desenvolvimento de varizes. O fator familiar e hereditário são considerados como os principais na formação das varizes. Outros fatores associados no desenvolvimento da doença varicosa são: gênero feminino, idade (a partir da adolescência, raro na infância e maior prevalência entre 30 e 50 anos), obesidade, múltiplas gestações, interação de hormônios femininos, assim como o fato de permanecer parado longos períodos em pé ou sentado.

SINTOMAS

A dor é a queixa mais importante e frequente no quadro de varizes dos membros inferiores. Também são comuns as queixas de cansaço, sensação de peso, inchaço e câimbras. Nos quadros mais avançados pode apresentar alterações da pele como manchas e coceira. A dor determinada pelas varizes habitualmente é difusa (pouco localizada) e descrita como sensação de peso e queimação. Uma característica da dor decorrente às varizes é o alívio com a elevação dos membros, embora nem sempre esta melhora seja imediata. Um outro aspecto importante da dor da doença varicosa é que a mesma não tem relação entre a intensidade da dor e a quantidade e tamanho das varizes - alguns pacientes apresentam varizes calibrosas com pouquíssimas queixas, enquanto outros, apresentam apenas microvarizes ou varicoses e podem queixar-se de dor intensa.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico é realizado basicamente pela história clínica (queixa) do paciente e exame físico dos membros inferiores. O Ecodoppler Colorido definitivamente é o principal exame complementar no diagnóstico de varizes e de outras patologias do sistema venoso. Tem como grande vantagem ser um exame não invasivo e de não trazer nenhum risco ao paciente. Tal exame identifica áreas de refluxos venosos e detalhes anatômicos variáveis em cada paciente, permitindo assim determinar um mapeamento venoso particular a cada caso, apontando o melhor tratamento, além de poder identificar possíveis oclusões e/ou refluxos (tromboses) no sistema venoso profundo.

TRATAMENTOS

As varizes apresentam caracter progressivo, portanto a ausência de tratamento pode acarretar complicações tardias como: alterações de pele e tecido celular subcutâneo como hiperpigmentação (manchas – dermatite ocre), eczemas (ressecamento com descamação da pele geralmente associado à coceira), dermatofibroses com queda de pêlos de forma irreversível, hemorragias e ainda na sua evolução, úlceras venosas (feridas) de difícil cicatrização que frequentemente ficam infectadas e tromboflebites (tromboses superficiais). Após avaliação médica, ao ecodoppler vascular e à uma avaliação clínica geral é indicado a melhor alternativa de tratamento ao paciente.

* Orientações gerais

Os pacientes devem ser orientados quanto aos fatores que possam ter relação com a evolução da doença varicosa. Oriento praticar atividade física regularmente (principalmente aeróbicas como caminhada ou corrida); evitar sobrecarga para os membros inferiores; evitar permanecer períodos prolongados tanto em pé quanto sentado, compensando essas longas permanências com caminhadas, e manter seu peso equilibrado.

* Tratamento clínico

O tratamento clinico é instituído aos pacientes que apresentam uma contra indicação cirúrgica, seja ela relativa ou absoluta. Consiste na associação do uso de meias elásticas e tratamento medicamentoso. As medicações flebotrópicas não interferem na progressão da doença varicosa nem tão pouco levam à reversão da insuficiência venosa (lesão valvular), mas proporcionam melhora dos sintomas. 

* Tratamento cirúrgico

O tratamento cirúrgico está indicado para as varizes primárias e tem por objetivo a melhora estética e/ou funcional, com alívio dos sintomas e, fundamentalmente, restabelecer a fisiologia normal da circulação.

· CIRURGIA CONVENCIONAL I STRIPPING DA VEIA SAFENA:

Tal procedimento é realizado em ambiente hospitalar, sob anestesia e na grande maioria das vezes o paciente recebe alta hospitalar no mesmo dia. O principal objetivo desta cirurgia é a retirada da veia safena, através de uma incisão na virilha e dos trajetos varicosos a ela associado, realizadoatravés de pequenas incisões. Para um melhor resultado estético e funcional, associa-se à cirurgia convencional a escleroterapia (aplicação) de varicoses e de varizes reticulares durante o ato cirúrgico, isso poupará tempo para finalizar o tratamento. O tempo de repouso, cuidados pós operatório e afastamento das atividades laborais depende do tipo de cirurgia a ser realizada, podendo variar de 10 à 30 dias.

· ENDOLASER E RADIOFREQUÊNCIA (CIRURGIA Á LASER):

Nos últimos anos se notou o aumento crescente de cirurgias por técnicas minimamente invasivas, em especial na Cirurgia Vascular. O Endolaser e a Radiofrequência são cirurgias que não necessitam incisões na pele, pois são realizadas através de punção da veia safena com uma agulha calibrosa, guiada pelo aparelho de ultassom, porém utilizam tipo de energia diferente. No interior desta agulha é introduzida uma fibra óptica, a qual é conectada a um aparelho que emite luz: Endolaser – Laser Diodo (1470 ou 1940nm) e na Radiofrequência ondas de rádio de alta frequência. Estes procedimentos são termoablativos, pois com o calor haverá uma queimadura e consequentemente a veia será cauterizada evoluindo para um cordão fibroso, sem que haja a necessidade de ser retirada. Já é consenso que a cirurgia à laser é melhor qua a cirurgia convencional, tanto que em alguns países como EUA e Inglaterra, os procedimentos convencionais mais invasivos, como a ressecção de veia safena (stripping), tem caído praticamente em desuso, tendo como primeira opção o tratamento Endolaser e a Radiofrequência, devido seu alto grau de resolução, menor taxa de complicações pós-operatória, menos dor pós operatória, assim possibilitando ao paciente retorno mais rápido às atividades físicas habituais, com menor tempo de afastamento do trabalho. Com todas essas considerações a cirurgia à laser é considerada segura, efetiva e é recomendada como o tratamento cirúrgico de escolha para varizes.

* Ecoeslero com microespuma (técnica da espuma)

A escleroterapia com espuma consiste na injeção de uma “espuma fisiológica” na veia safena magna ou em outras varizes superficiais, o que causará uma irritação e inflamação das paredes da veia e consequentemente levará à uma cicatrização e obstrução da luz (fechamento da veia). Esta técnica é realizada ambulatorialmente, guiada pelo ultrassom (Ecodoppler) para o tratamento de insuficiência de veias safena. Sua principal indicação é para casos de úlceras varicosas (feridas decorrentes de varizes não tratadas) e para pacientes que apresentam contra indicação cirúrgica. Uma grande tendência da medicina moderna é a associação de várias técnicas de tratamento, a fim de obter o melhor resultado possível, visando um rápido reestabelecimento associado à um melhor resultado funcional e estético. As varizes não tem cura definitiva, pois trata-se de uma doença genética de evolução crônica. Por isso a orientação é que o tratamento seja feito em sua fase inicial pois assim haverá maiores chances de se controlar e prevenir a evolução da doença.